É pra rir ou pra chorar?

Sobre diversidade e pós-ironia

Uma das coisas mais legais que assisti nos últimos dias foi o especial Inside, que marca o retorno de Bo Burnham à comédia. Mas além disso, é também seu momento de acerto de contas com as pessoas que foram o alvo de suas primeiras piadas - mulheres, pessoas negras e a comunidade LGBTQIA+.

Robert “Bo” Burnham começou sua carreira na comédia musical aos 16 anos, fazendo vídeos para o YouTube direto do seu quarto, e ficou famoso com “ My Whole Family... ” uma música sobre sua família questionando sua sexualidade.

No especial disponível na Netflix, ele volta às origens com um show feito sozinho, em sua casa, durante a pandemia. Inside oscila entre o nada engraçado e a pós-ironia dos nossos tempos. Fala sobre “fragilidade branca”, bilionários, marcas que praticam “socialwash”, redes sociais, saúde mental e pede desculpas sobre suas “piadas de adolescente”. 

Projeta uma cruz de sacrifício sobre si, implorando aos telespectadores que o responsabilize por seus erros. Isso acontece num momento em que se questiona cada vez mais as piadas que não são de bom tom, o racismo, a misoginia e a homofobia recreativas. Faz isso enquanto zomba do atual ciclo de erros, cancelamentos e pedidos de desculpas que vemos celebridades e marcas fazendo em ciclos. Retratação ou ironia? 


→ A Parada LGBTQIA+ de SP teve como tema neste ano “HIV/AIDS: Ame+ Cuide+ Viva+” pelo segundo ano consecutivo nos moldes online. As transmissões, que tomaram conta do YouTube, podem ser vistas no vídeo aqui.

Ainda em Junho, começou no dia 04 a 4ª Marcha do Orgulho Trans da cidade de São Paulo, que é o maior evento voltado para a comunidade trans da América Latina. Você pode saber mais aqui

→ Imagina Judith Butler com Linn da Quebrada e Jup do Bairro? O encontro desses três ícones na militância LGBTQIA+ aconteceu e foi incrível. O Canal Brasil com o programa TransMissão juntou as 3 personalidades numa conversa não só importante como obrigatória.

“Feriado LGBT”: empresa de seguros implementa o “Dia da Diversidade”, dia onde todos os colaboradores são dispensados para reflexão acerca do tema. Pensando nisso, trouxe aqui um guia de como as marcas devem agir neste mês. Será que a ideia pega?

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→ CNN sob nova direção: A nova CEO da gigante brasileira de notícias é mulher e lésbica. Renata Afonso traz mais representatividade para a emissora e mostra que não existem limites de onde pessoas LGBTQIA+ podem chegar. 

→ Viu que a homofóbica Patrícia Abravanel fez declarações ridículas ao vivo sobre posicionamento contra homofobia? A apresentadora recebeu, massivamente, respostas para as suas declarações e a Pepita não deixou barato durante a Parada LGBTQIA+ de São Paulo.

→ No dia 08, terça feira, comecei uma série de conteúdos do mês da diversidade com uma live sobre “Masculinidades GBTQI+” com a presença do @isuperio e do @ber_gonzales. A gente falou sobre diferentes recortes da pauta LGBTQIA+ como a raça, classe e identidade de gênero. Se não viu a live, corre aqui e não esquece de ficar de olho nos conteúdos neste mês de orgulho.

A Biblioteca da TODXS (se lê todes) é um espaço online que reúne documentos publicados pela organização, todos focados na população LGBTI+, além de links para materiais que são referência para a comunidade. O espaço é uma iniciativa das áreas de Pesquisa e Desenvolvimento e Tecnologia da TODXS. Atualmente, o acervo virtual conta com cerca de 12 materiais que podem ser baixados gratuitamente. Alguns dos títulos que você encontrará são: a Pesquisa Nacional por Amostra da População LGBTI+ e a Cartilha de Saúde LGBTI+.


→ Se você acompanha meus stories sabe que eu estou viciado em páginas de positividade. Mas calma, apenas ironicamente. Pelo menos para mim.

Comecei a seguir e compartilhar de brincadeira, até saber que são feitas levadas a sério. Cada imagem abaixo é um perfil:

O criador da página @afffirmations disse: “Não posso dizer se é satírico porque estou falando sério sobre o que estou fazendo”, disse ele a Elle em maio. “Eu não estou brincando. Eu gasto muito tempo fazendo essas fotos, planejando e pensando. Para mim, luto para categorizar isso como sátira. Eu considero isso uma arte.”

Os memes são confusos, ambíguos e absurdos, com camadas de ironia textual e visual que prendem a atenção do espectador. O design gráfico é tão ruim que fica bom. Chega a ser um pouco desconcertante. Olha só um outro exemplo de outro perfil do mesmo tipo:

Os curadores dessas páginas têm um talento especial para combinar o aleatório e o comum para criar um composto que transcende o pensamento racional. É maravilhoso, uma merda, sátira, arte - ou todas as opções acima?

Alguns dos criadores respondem: “Não leve tão a sério”. Se você curtiu, confira a historia memética dos anos 2010.


→ Nasceu no início dos anos 80 e se sente no meio do caminho? Os “Geriatric Millenials” de acordo com Erica Dhawan, em seu texto no Medium, são as pessoas que conseguem transitar tanto no analógico como no digital com facilidade e por isso são peça vital no futuro das empresas, principalmente nos modelos híbridos de trabalho. 

→ “Oi more! Ei Bestie!” Achei interessante a reflexão, neste texto da Vox, sobre como algumas expressões e “vocativos” que começamos a usar, graças a internet e os memes, podem ser problemáticos em certos níveis.

→ A pandemia nos transformou em pessoas viciadas em pijamas e “confort clothes”. Mas e quando passar? Em alguns países, segundo o UOL, as pessoas estão com tanta raiva da pandemia que estão em revenge shopping.

→ De mamadeira de pir*ca, passando pela terra plana e chegando até em Nero colocando fogo em Roma, as teorias da conspiração ganham adeptos e defensores o tempo todo. Porque que acreditamos tanto nelas? O TAB UOL respondeu. 

→ “Não quis ofender ninguém”. Mais do que acostumados com as desculpas após cancelamentos no Instagram, Hollywood já está profissional no ofício de resolver a vida de celebridades e seus escorregões. A Vice ensina a fazer a desculpa perfeita após um cancelamento de redes sociais. 

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→ Você está pronto para voltar para a vida “normal”? Se você estiver dentro do grupo privilegiado de pessoas que pôde ficar em isolamento social, a sua vida deve ter mudado bastante. Mas agora, com as vacinas, está pronto para voltar a enfrentar o olhar direto do seu chefe presencialmente? Entenda mais aqui. 


→ A escritora Emilie Reed argumenta que as ferramentas e tecnologias voltadas para a "inclusão financeira" (NFTs, ações de meme, aplicativos de comércio de varejo) não são tão libertadoras quanto afirmam ser. O texto, você pode acessar aqui.

→ O Efeito Proteu é um fenômeno em que alterações na suas representações virtuais alteram seu comportamento no mundo real. Trouxe para você entender melhor um artigo da Universidade de Stanford que anda investigando o evento psicológico e outro da Universidade Médica de Singapura que mostra como essas ilusões influenciam nosso comportamento.

→ StudyHall publicou recentemente um ensaio com acesso pago que explora a impossibilidade de ser um simples usuário em uma plataforma, agora que o impulso é para que todos se tornem “criadores”.

→ A Netflix lançou um e-commerce de roupas! Sim, a gigante do streaming tem agora uma loja de roupas online, e você pode conhecer aqui. Será que a moda agora é ser “multimercados”?

Instagram Youth, é uma plataforma em desenvolvimento voltada para crianças menores de 13 anos, uma geração de jovens usuários digitais que se acostumará a postar para chamar a atenção, o que está inextricavelmente ligado a futuras margens de lucro.

→ Eu tinha falado no ano passado nesse post que os jogos se tornariam grandes redes sociais. Pois bem, Animal Crossing foi anunciado pela MIT Technology Review como a "nova mídia social" da era do coronavírus, como mais um destino a ser visto. Isso não diminui necessariamente a alegria que esses jogos trouxeram às pessoas durante esse tempo, mas revela o controle que as plataformas sociais têm sobre nossas escolhas.

→ O Instagram publicou, em seu perfil CREATORS o anúncio de possibilidades de comissionamento em vendas digitais para influenciadores. Será um novo caminho rumo à monetização?

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→ A cantora Grimes recentemente publicou um vídeo em seu TikTok alegando que a Inteligência Artificial é o caminho mais curto para o comunismo. Disse que com ela, é possível que ninguém trabalhe a partir da automatização e robotização de tudo, e finalmente podemos ficar num estado confortável de vida e igualdade. Será mesmo? O que você acha? Veja o vídeo aqui.

→ E falando em tecnologia, você sabia que existem roupas que só podem ser usadas virtualmente? E que tem gente comprando? No meu último texto na MIT Technology Review Brasil, escrevi sobre o fenômeno das roupas digitais.


→ A partir deste mês eu assino uma coluna mensal no feed da Eletrolux (@eletroluxbr) sobre consumo consciente, com dicas e informações para ajudar você a ter uma vida com mais consciência. O primeiro post é sobre como minimizar o desperdício de alimentos.

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Segundo dados do Instituto Akatu, o Brasil é o quarto maior produtor do mundo, e infelizmente, um terço dos alimentos produzidos é jogado fora. Ao jogar menos alimentos no lixo, ajudamos a solucionar diversos problemas atuais como: desperdício de comida, geração de resíduos, descarte de embalagens e até a poluição. Entra aqui para ver e deixa o seu biscoito lá para mim. Não vale desperdiçar!

E com objetivo de promover o consumo consciente, a Electrolux convidou a Negra Li para reinterpretar o clássico dos anos 80 “Joga Fora No Lixo”, que virou, “Não Joga Fora No Lixo”. A música traz um alerta, de uma forma descontraída e inspiradora, sobre a importância de evitar o desperdício e usar os produtos até o final. Ouça aqui. #publi


→ Dorian Ulisses López é um fotógrafo mexicano e recentemente publicou um pouco do seu trabalho retratando a comunidade LGBTQIA+ no blog WePresent, da empresa WeTransfer.

→ Nem todo artista negro é Basquiat. O projeto Descolonizarte traz uma reflexão importante em seu editorial sobre como as instituições artísticas são majoritariamente brancas e como isso reverbera não apenas no mercado da arte, mas criativo.

→ O filósofo e ecologista Timothy Morthon traz uma reflexão importante - através do texto de Morgan Meis na New Yorker - acerca de objetos tão grandes e massivamente distribuídos no mundo, como todo o plástico no oceano. O texto, disponível aqui, traz um olhar sobre como esses objetos se mixam com a pandemia, transformando ela numa “hiperpandemia”.

→ Campanha mistura arte com psiquiatria e aborda por meio de retratos e intervenções diferentes transtornos mentais. 

→ Que tal pagar 15 mil euros em NADA? Literalmente, o artista italiano Salvatore Garau vendeu uma escultura que não existe em leilão mês passado. Os detalhes você consegue ler aqui.


→ Esse mês participei de alguns podcasts bem legais. No Escuta Ela falei um pouco sobre trabalho, propósito e meu livro livro Como Salvar o futuro. Se quiser comprar o livro, clique aqui! Vou colocar o podcast aqui embaixo.

→ Já no podcast da Gama falamos sobre lixo e sobre os impactos da indústria da moda no mundo.

Além do podcast, a revista fez uma edição inteira dedicada ao lixo falando sobre os desafios e as possibilidades de resolver esse problema.

→ E na última semana participei ao vivo do Primeiro Café. Falamos sobre “presentismo” e sobre o poder de mudanças individuais e coletivas. Eu entro a partir do minuto 18, no player abaixo.

→ Recomendo demais também que você ouça esse o episódio com o Daniel Munduruku que falou sobre o futuro e a cosmovisão indígena. 


Mare of Easttown | HBO

A nova série sensação da HBO trata de uma investigação policial com alma. Com belíssimo roteiro e construção de personagens, ainda nos traz a alegria de ver Kate Winslet brilhando na televisão. A Renata Correa falou um pouco sobre a série aqui

Special | Netflix

Ryan O’Connell é um homem gay com paralisia cerebral que transformou seu livro de memórias “I’m Special: And Other Lies We Tell Ourselves” na série “Special”. Como  protagonista ele mostra os principais dilemas de homens gays, sobretudo homens gays com deficiência, com muito humor. A segunda temporada acaba de ser lançada. E se você já viu, vale conferir esse conversa aqui.

The Normal Heart | HBO

O filme conta a história do início da crise de AIDS/HIV nos anos 80. A partir do recorte nova iorquino, Ryan Murphy mostra, com muita vivacidade e elenco de peso (Jim Parsons, Mark Ruffalo, Matthew Bomer e Julia Roberts), a dificuldade que, principalmente LGBTQIA+’s tiveram de expor a epidemia que dizimou milhões.

120 BATIMENTOS POR MINUTO | GloboPlay

O filme francês conta a história do grupo ativista ACT UP que lutou para expor a importância do reconhecimento, tratamento e prevenção do HIV/AIDS na década de 90. Robin Campillo conta a história a partir da narrativa de Nathan e Sean, um casal gay sorodiscordante.

DOM | Amazon Prime

Acaba de estrear no Amazon Prime Video a série DOM, a primeira produção dramática do streaming, inspirada da trajetória de Pedro Dom - um rapaz de classe média do Rio, que se tornou usuário de drogas quando era criança e virou o líder de uma violenta quadrilha especializada em assaltos a apartamentos de luxo. Falei um pouco sobre ela aqui:

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